• Flavia Andrade

Analise do especialista: decisão do COPOM


(Foto: Reprodução/Internet)

A manutenção da taxa era amplamente esperada, entretanto há algumas novidades.

Decisão e comunicado do COPOM veio relativamente dentro do esperado. 


1- O COPOM reforçou a leitura de atividade econômica decepcionante e sugere que não tem havido ganho de tração este ano. "Indicadores recentes da atividade econômica sugerem que o arrefecimento observado no final de 2018 teve continuidade no início de 2019. "


2- Tal fato levou o balanço de riscos para um patamar marginalmente mais confortável (mais propicio ao corte), apesar de ainda continuar simétrico. "Comitê avalia que, embora o risco associado à ociosidade dos fatores de produção tenha se elevado na margem, o balanço de riscos para a inflação mostra-se simétrico."


3- Por fim, a principal novidade. No parágrafo onde o BCB pontuava que voltaria a observar a economia no curto prazo, há um destaque para a questão da incerteza (em especial, com a redução do grau de incerteza....), o que não havia no COPOM passado.

Trecho passado: "Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com menor grau de incerteza e livre dos efeitos dos diversos choques a que foi submetida no ano passado. "

Trecho atual: "Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, livre dos efeitos remanescentes dos diversos choques a que foi submetida no ano passado e, em especial, com redução do grau de incerteza a que a economia brasileira continua exposta."

Esta comunicação talvez esteja se referindo a Reforma da Previdência, ou seja, a aprovação da reforma que geraria a redução do grau de incerteza. Se for este o caso, o corte de juros fica condicionado ao andamento da reforma. Vamos ver se vem mais detalhes na ata.


Minha surpresa ficou pela ausencia de comentários sobre a inflação na margem que tem sofrido choques significativos.


Conclusão, a avaliação do BCB em relação a conjuntura é mais dovish. O balanço de riscos continua simétrico mas melhorou na margem. Entretanto, o possível link entre corte de juros e reforma da previdencia pode postergar uma ação do BCB mesmo sendo respaldado por dados de inflação, expectativa e atividade. De qualquer forma, continuo vendo cortes de juros este ano, dado que acredito que a reforma deva andar, e SELIC em 5,5% em dezembro. Vale ressaltar que se efetivamente o BCB sinalizar que tem essa condicional com a reforma da previdencia provavelmente o início do corte de juros fique para o final do 3T19 ou mesmo 4T19.


(** Com informações da Assessoria)



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