• Flavia Andrade

Aparecida de Goiânia abrigará primeiro pólo aeroportuário do Centro-Oeste


Após um minucioso processo de aprovação que durou oito anos, decreto conclui a etapa burocrática de implantação do Antares, primeiro pólo aeroportuário do Centro-Oeste. Lançamento do empreendimento que funcionará na região metropolitana da capital goiana está agendado para o primeiro semestre de 2020 (Foto: Divulgação)

Lançamento do empreendimento que funcionará na região metropolitana da capital goiana está agendado para o primeiro semestre de 2020.


Aparecida de Goiânia prepara-se para um novo ciclo de desenvolvimento com a chegada do primeiro pólo aeroportuário do Centro-Oeste, o Antares Polo Aeronáutico. Desenvolvido com  um conceito urbanístico de Aerotrópolis, na qual o aeroporto gera um grande desenvolvimento em seu entorno, a prefeitura municipal assinou o decreto autorizando as obras em setembro do aeroporto executivo. Essa era a última autorização necessária para que o projeto saísse do papel. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2020. Capitaneado por um grupo empreendedor formado pelas  empresas Tropical Urbanismo e Incorporação, Innovar Urbanismo/Aeroar e CMC/BCI, o Antares Polo Aeronáutico abrangerá uma área de 209 hectares, ou 2,096 milhões de m², com pista para pouso e decolagem de 1,8 mil metros, terminal de embarque e desembarque, posto para abastecimento, pista de acesso aos hangares (taxiway), Fixed Base Operator (FBO) completo para assistência aos proprietários de aeronaves, estacionamento para visitantes e área destinada para  helicentro e hotel. Haverá ainda uma área de 654 mil m², que será destinada para receber hangares de aviação executiva, de manutenção de aviões, escolas de aviação, empresas de compra e venda de aeronaves, peças e fornecedores em geral. “O projeto tem porte inclusive para receber fábricas de aviões e, ao mesmo tempo, tem espaço para empresas e escritórios para executivos e empresários que tenham o transporte aéreo em sua rotina”, explica um dos empreendedores do projeto, o empresário Romeu Neiva. “O projeto do Antares Polo Aeronáutico segue uma tendência de interiorização dos polos aeronáuticos pelo interior do País e será o primeiro do Centro-Oeste. Ele será desenvolvido em conceito urbanístico comum nos Estados Unidos, mas pouco visto no Brasil, e denominado de “Aerotrópolis”, na qual o aeroporto gera um grande desenvolvimento, dando mais um impulso econômico para a Aparecida de Goiânia”, acrescenta Neiva. A estimativa de investimentos para a construção do empreendimento é de R$ 100 milhões e a expectativa é a de ser gerar mais de 2.500 empregos diretos entre as fases de construção, implantação e operação. O período de aprovação levou oito anos, dado do tamanho e amplitude do projeto, que exigiu, além das devidas licenças ambientais, de uso do solo e outras, certificações e validações por parte de órgãos como a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] Infraero e o International Civil Aeronautics Organization (ICAO), além de inúmeras indenizações de áreas que foram negociadas. 


A perspectiva é que o Antares seja um catalisador do desenvolvimento de uma nova vocação para Aparecida de Goiânia, a aeronáutica, como vem acontecendo em cidades do interior paulista, como São José dos Campos, São Carlos e São João da Boa Vista, que receberam pistas, fábricas, cursos e hangares de manutenção. “Vizinho ao campus da Universidade Federal de Goiás em Aparecida de Goiânia, a expectativa é que aumente a grade de cursos superiores para atender o segmento aeronáutico, da mesma forma que aconteceu nessas cidades”, observa Neiva. Escolas do Senai, Senac e outras universidades também tornar-se parceiras na formação de mão-de-obra especializada para a demanda do setor aeroviário que irá aumentar. 


De olho no desenvolvimento futuro, no plano diretor do município, já foi criada a zona aeroportuária na região do empreendimento. As empresas que se instalarem na região terão incentivos de IPTU e ITU, além de pagarem ISSQN de 2% tanto durante a obra quanto durante a prestação do serviço. 


Demanda 


O mercado da aviação no Centro-Oeste está em expansão. Segundo o último Anuário de Transporte Aéreo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de 2018, o número de decolagens domésticas na região alcançou o maior crescimento nacional, de 3,3% em relação ao ano anterior, com um total de 102,4 mil. O número de passageiros cresceu em 69% entre 2019 e 2018, atingindo 117,6 milhões. A carga aérea aumentou em 60% no mesmo período, chegando a 1404 toneladas em 2018.


Em Goiás, apesar de haver apenas um aeroporto civil, o crescimento também foi medido pelo Anuário Estatístico Operacional da Infraero. O Estado é o sexto em movimentação de passageiros, com 3,2 milhões embarques e desembarques, e o 7º aeroporto com maior movimentação de cargas - quase 15 mil toneladas. O Santa Genoveva também registrou o quinto maior movimento de aeronaves no País - um crescimento de 11,65% em relação ao movimento de 2017 no Estado. As aeronaves executivas foram responsáveis por quase a metade dos vôos no ano passado - 31.467 dos 60.855. 


Os números, observa o empresário Rodrigo Neiva, apontam para o desenvolvimento do Estado que, além de ter um agronegócio forte, também tem uma forte vocação logística por sua posição geográfica. “Isso tem atraído indústrias, distribuidoras, modais de transporte como a Ferrovia Norte e Sul e, agora, o modal aeronáutico. O Antares chega para dar vazão a essa necessidade crescente de deslocamentos rápidos na aviação executiva e para dar suporte aeronáutico aos voos domésticos e transporte de cargas”, diz ele.


A escolha de Aparecida de Goiânia para receber o empreendimento se deu justamente em razão da vocação logística da cidade. Conhecida como “o Trevo do Brasil”, nos últimos anos o município tem explorado bem essa sua qualidade e atraído centenas de empresa, que buscam  a privilegiada localização geográfica. Compondo a Região Metropolitana de Goiânia, a 210 quilômetros de Brasília e tendo como principal acesso a BR-153,  quarta maior rodovia brasileira, a posição de Aparecida de Goiânia no mapa brasileiro faz da cidade um pólo dinâmico e importante para a transformação de matérias-primas e distribuição de produtos aos centros consumidores do País.  A cidade concentra, conforme números atualizados em 2017, mais de 2,2 mil indústrias e um total de 34 mil empresas, que devem se desenvolver ainda mais com o início das operações do pólo aeroviário.


Box:


O Antares poderá abrigar as seguintes operações:


Taxi aéreo

Escolas aviação 

Transportadoras Plataforma logística/Empresa tipo Gol/Log

UTI aérea 

Fábrica de aviões 

FBO

Helicenter 

Posto combustível

Locadora de veículos

Fábrica de motores pra aviação 

Fábrica de turbinas pra aviação

Fábrica de peças aeronáuticas

Compra e venda de avisões novos e usados 

Companhia aéreas/ Manutenção 

Despachante Aeronáutico

Empresas de compartilhamento de aeronaves

Empresas de logística e distribuição de produtos de alto valor agregado

Centro de treinamento e desenvolvimento de mecânicos e operadores

Empresas de manutenção aeronáutica de todos os segmentos

Parte elétrica

Avionicos

Oficina de fibra

Venda de peças

Oficina de motores

Oficinas gerais

Pintura 

Estofado

manutenção e venda de rádios 

manutenção/venda transponder

manutenção/venda GPS

manutenção/venda hélices 

manutenção aviões agrícolas


(** Com informações da Assessoria)

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