• Flavia Andrade

Audiência pública debate sobre implantação de corredor de ônibus na Avenida Bandeirantes


Comerciantes temem prejuízos com obra realizada pela Prefeitura. (Foto: Divulgação/CMCG)

Nesta quinta-feira (27), a Câmara Municipal de Campo Grande realizou audiência pública para debater o impacto das grandes obras no cotidiano da população, em especial a intervenção na Avenida Bandeirantes. Diversos empresários e comerciantes da região estiveram presentes e questionaram as adequações realizadas pela Prefeitura.


De acordo com o representante da comissão de comerciantes da Avenida Bandeirantes, Oberdan Lima, “São mais de 600 CNPJ na Avenida Bandeirantes. Nossa pergunta é a mesma: Por que se construir um corredor de ônibus, se é uma avenida estritamente comercial? Por que não em outro lugar? Não sei o que acontecerá com o comércio se colocarem esse corredor do ônibus, sem contar a diminuição de 70% no número das vagas de estacionamento. Isso dificultaria bastante o acesso. Não somos contra revitalização e melhoria, como asfalto e drenagem, mas a criação do corredor exclusivo de ônibus irá decretar a falência do comércio na Bandeirantes”, destacou.


A proposta para realização da reunião foi do vereador André Salineiro, presidente da Comissão Permanente de Legislação Participativa da Casa de Leis, composta ainda pelos vereadores Enfermeira Cida Amaral (vice-presidente), Papy, Cazuza e Dr. Antônio Cruz. Entre os pontos principais da discussão, estão as obras em andamento na via, pois os comerciantes temem prejuízos com o fechamento de 70% das vagas de estacionamento.


Ainda conforme Oberdan Lima, “Queremos ouvir quem será impactado com essas obras. Esse deveria ser o princípio básico de todo grande projeto antes de ser iniciado. Tivemos o Reviva Centro, conhecemos pessoas que ainda passam por problemas sérios. Será que é esse projeto que a população precisa? Grandes obras trazem grandes impactos, às vezes positivos, às vezes negativos. Na Bandeirantes, mais de 30 mil pessoas podem ser afetadas pelas obras”, analisou Salineiro. “Vamos pedir a suspensão das obras, prosseguindo apenas a revitalização do asfalto e dos pontos de ônibus, mas sem o corredor de ônibus”, pontuou representante.


Os comerciantes solicitaram também entre as reivindicações apresentadas, alterações no projeto, principalmente em relação ao corredor de ônibus, e também a execução dos trabalhos por etapas. Ao todo, a Avenida Bandeirantes tem cerca de 600 empresas, que juntas são responsáveis por 6 mil empregos diretos e 24 mil empregos indiretos. 


Para o morador e comerciante da região, Andrade de Moraes, “Somos lojistas de automóveis e sou um dos que mais lutei naquela avenida. Mas, nunca pedimos corredor de ônibus. Ele vai matar o lado esquerdo todinho, a maioria dos comerciantes. Temos bancos, postos, lojistas de todos os tipos. Ninguém é contra a revitalização da avenida, mas ela deve ser feita sem prejudicar ninguém”, pontua.


Conforme o texto do projeto, está prevista a reforma total da via, construção de um corredor de ônibus e instalação de pequenos terminais em ilhas, na faixa esquerda da avenida. Conforme repassado pela prefeitura, serão investidos na Avenida Bandeirantes, incluindo drenagem, recapeamento, sinalização e implantação de sete estações de pré-embarque no corredor do transporte coletivo, R$ 6.462.933,73 (recursos do PAC Mobilidade) e R$ 2.297.378,94 (contrapartida do Governo do Estado).


De acordo com a diretora-adjunta da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Andrea Figueiredo, “o projeto não pode mais ser modificado, já que conta com verba federal. Se tentarmos fazer alterações, perdemos o recurso e para-se a obra. A Bandeirantes, como a Brilhante, Afonso Pena, Mato Grosso, Gury Marques, Bahia, todas já são corredores de transporte coletivo. Apenas trazemos melhorias para aquelas vias. Hoje, o ônibus disputa espaço com o veículo de pequeno porte. Retiramos o estacionamento do lado esquerdo.


Antes, o projeto era para ser feito com separação física. Mas conseguimos alterar, com uma pista exclusiva onde todos podem compartilhar para conversões, acesso à imóveis lindeiros. Hoje, quem usa o transporte coletivo precisa de regularidade, ter horário fixo de embarque e desembarque dos ônibus”, diz.


O secretário Municipal de Infraestrutura Urbana, Rudi Fiorese, declara que, “as alterações são necessárias. A cidade vai crescendo e, obrigatoriamente, passa por transformações. O objetivo é melhorar, ninguém faz isso para matar ninguém. A 14 de Julho vai perder estacionamento em três quadras. O plano é de mobilidade, visa melhoria no transporte urbano, e a Bandeirantes é uma das vias. A Bandeirantes foi escolhida em um planejamento feito há décadas, não é de agora. A gente entende que isso traz transtornos, mas o objetivo é melhorar. A Zahran, por exemplo, não tem estacionamento e não morreu, e tem comércio”.


Representando a mesa diretora, o 1º secretário, vereador Carlão questionou a implantação do corredor de ônibus na Bandeirantes, considerando a praticidade. “A Bandeirantes tem o nome de Avenida, mas é uma rua. Não tem largura para fazer canteiro. Politicamente isso é assassinato. Vocês serão prejudicados, em quase 90%. Na Bandeirantes, a arrecadação é ótima para Prefeitura. Se o prefeito pudesse parar, ele parava. Esse corredor exclusivo de ônibus, pela Bandeirantes, deve ser um prejuízo enorme. Politicamente, o Prefeito não vai ter nem um voto lá mais”.


A vice-presidente da Comissão, vereadora Enfermeira Cida Amaral defendeu as mudanças, porém, com cautela. “Como parlamentar, gosto muito da mudança, porém, para a melhor. Estou sentindo que, aqui para vocês, está muito ruim. Estamos em um momento difícil, um país atravessando uma crise financeira, mas estamos em um momento único, ocorrendo uma mudança total na cidade”, conclui.

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