• Flavia Andrade

Centro-Oeste registra o maior recuo no preço das massas no Brasil durante a pandemia


(Foto: Divulgação)

Levantamento da InfoPrice mostra variação dos preços dos principais produtos da cesta básica, por região do País


Com a suspensão das aulas escolares e a adoção do home office em diversas regiões do País como forma de reduzir o contato e a aglomerações de pessoas, em uma estratégia para conter o avanço dos casos de Covid-19 no Brasil, as famílias estão passando mais tempo e fazendo mais refeições juntas. A reunião de familiares ao redor da mesa remete às cenas de almoços de domingo, momento em que a tradicional macarronada costuma ser o personagem principal da ceia. Neste caso, os moradores do Centro-Oeste têm levado vantagem em relação aos consumidores das demais regiões do País. É que lá a variação nos preços das massas registrou recuo de 4,50% durante este período de pandemia, enquanto Sudeste (0,10%) e Nordeste (3,31%) registraram alta. E Norte (-1,62%) e Sul (-2,35%), embora com oscilações mais modestas, também anotaram variações negativas.

Isso é o que aponta levantamento realizado pela InfoPrice, empresa de tecnologia e inteligência de negócios focada em pricing do varejo físico, que levou em consideração o comportamento dos preços no período de 10 de fevereiro a 04 de maio.

“Nosso objetivo era entender o quanto a pandemia estaria ou não impactando os preços dos principais produtos da cesta básica da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia do novo coronavírus em 11 de março, mas um pouco antes disso, tivemos o Carnaval – cujas festividades ocorreram de 21 a 25 de fevereiro. Tendo estas datas no radar, expandimos a data de pesquisa para um período ligeiramente anterior, e começamos a análise dos dados a partir do décimo dia do segundo mês do ano, para garantir que não haveria interferência de altas sazonais motivadas pela celebração. Com esta delimitação, a avaliação sobre a interferência da pandemia nestes preços é mais assertiva”, explica Rodrigo Diana, cientista de dados da InfoPrice.

Além das massas, arroz, feijão, leite, enlatados e carnes bovinas, bases do consumo doméstico nacional, foram os itens que tiveram seus preços analisados pela Infoprice. Produtos de limpeza e álcool gel, pelo aumento da procura justamente por conta da recomendação de maior asseio das pessoas para evitar a contaminação da Covid-19, também foram objetos deste levantamento, uma vez que o avanço da demanda costuma interferir no valor dos produtos.

Na média

Já outros produtos que compõem o cardápio do brasileiro e são a base da alimentação nacional, o arroz e o feijão, registraram alta variação de preços neste período de pandemia, pesando no orçamento do consumidor, no final do mês. E aqui os moradores do Centro-Sul não tiveram refresco: o arroz avançou 0,56% e o feijão, 8,90%. Ainda assim, os resultados são melhores do que em outras localidades.

O Sul foi onde o arroz alcançou a maior alta no período analisado: 8,52%. Em segundo lugar, com maior avanço, está a região Nordeste, com 7,04%. No Sudeste, a variação foi de 4,55%. A região Norte foi a única a apresentar alteração negativa, com recuo de 3,07%. Já para o feijão, a volatilidade mais acentuada observada foi no Sudeste, com alta de 18,61%. O valor do grão no Nordeste registrou variação similar: com avanço de 18,42%.

Alta geral

O preço do leite ferveu em todas as regiões do Brasil. No Centro-Oeste a alta foi de 6,77%, enquanto o Sul anotou registrou avanço de 15,50% e o Norte de 12,01%.

“Nossa ferramenta apenas analisa o comportamento de preços, entender os motivos das altas requer um estudo mais aprofundado de cada categoria. Entretanto, nosso relacionamento com os clientes é muito próximo, e nessa troca de informações é possível identificar alguns fatores que influenciam nestas oscilações. No Sul, por exemplo, sabemos que houve uma pressão por parte dos produtores para elevar o valor do leite. Há, inclusive, diversos relatos de varejistas indicando em suas gôndolas que o preço havia subido porque os produtores tinham elevado muito o valor do produto”, explica Paulo Garcia, CEO da InfoPrice.

De acordo com dados divulgados pelo Conseleite (associação civil que reúne representantes de produtores rurais de leite do Estado e de indústrias de laticínios que processam a matéria-prima no Paraná), no final de abril, a recomposição de preço na entressafra era um movimento esperado em função da queda na lactação e do impacto da seca em mais de 300 municípios gaúchos, mas também reflete o aquecimento do consumo nos primeiros dez dias do mês devido à formação de estoques pelas famílias no início da pandemia.

Outros produtos

A carne bovina foi o único produto que apresentou recuo em todas as praças pesquisadas. Ao contrário do que aconteceu com o leite no Sul e no Norte, essas são regiões que registraram as maiores contrações no preço da carne bovina: 10,66% e 20,03%, respectivamente. Nordeste (-3,03%), Centro-Oeste (-2,66%) e Sudeste (-1,95%) também seguiram o movimento de baixa.

Já nos enlatados, o Nordeste é a única localidade em que se observa alta no preço dos produtos: 1,69%. Sul (-1,12%), Sudeste (-2,05%), Centro-Oeste (-3,29%) e Norte (-6,24%) indicam retração nos valores desta categoria.

Higiene

Os produtos de limpeza também pesaram no bolso do consumidor no período. Norte (4,24%) e Nordeste (4,15%) ocupam a liderança no avanço dos preços. Na sequência aparecem Sul (1,98%), Sudeste (1,88%) e Centro-Oeste (1,47%).

Vilão dos preços no início da pandemia, o preço do álcool gel recuou bastante depois do pico inicial da demanda que fez o produto faltar em muitas prateleiras. O Sul é a localidade com maior retração: -25,09%. O Centro-Oeste aparece em segundo lugar: -16,92%. “Este movimento também é decorrente de medidas adotadas por diversos governos, que implementaram políticas de isenção ou redução de impostos do produto para facilitar o acesso da população”, comenta Garcia.

Pra ficar de olho

Rodrigo Diana, cientista de dados da InfoPrice, explica ainda que os resultados obtidos são decorrentes de ponderações de medianas nas oscilações dos produtos. “Nós não pegamos, simplesmente, o valor do produto em 10 de fevereiro, comparamos com o preço deste em 04 de maio, e tiramos a média. Não! Nós analisamos a variação dos preços, produto a produto em cada ponto de venda que pesquisamos, o que permite ter a certeza sobre o seu aumento ou diminuição naquela localidade. A partir desses resultados, fizemos o agrupamento por categoria e também por região, de onde vêm os resultados médios apresentados para cada macrorregião do País. Isso nos permite ter uma abordagem muito mais assertiva e que reflete melhor a variação dos preços no varejo”. A pesquisa comparou a variação dos preços em 469 lojas físicas e 171.218 datapoints, que são um conjunto de informações que vão desde o nome do produto, seu preço, a loja em que ele se encontra, se ele está em promoção ou não, entre outras informações relevantes para precificação, sendo esse conjunto individual para cada produto único em cada loja. Destas, 44 lojas e 31.114 datapoints estão localizados no Centro-Oeste.

Para auxiliar a população e lojistas neste momento, a InfoPrice está disponibilizando em seu site, gratuitamente, a pesquisa “Impacto da Covid-19nos preços do varejo brasileiro”. No documento é possível acompanhar a variação de 50 produtos, semana a semana, em 292 cidades brasileiras. Ainda é possível fazer a consulta por marcas.

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