• Flavia Andrade

Coronavírus: Como cuidar do seu pet?*


(Foto: Divulgação)

** Por Diogo Cesar Gomes da Silva


Atualmente estamos todos impactados com as mudanças que a Pandemia de Coronavírus gerou em nossas vidas. Nossas relações sociais, familiares, as esferas do trabalho, educação e saúde estão sob constante tensão, provações e por vezes muitas, dificuldades.


Nosso comportamento é uma demonstração disso, ele “reage” a toda a esta realidade, assim como nossa capacidade emocional, que por muitas vezes encontra-se fragilizada.


Em um país onde a presença dos Pets é tão marcante, e sua importância nas relações humanas e seu firmamento como membros de uma família dita multiespécie, é natural nossa preocupação com eles neste cenário de pandemia. E claro, a qualidade da nossa relação com nossos animais.


Será que nossos pets também podem ser impactados com toda esta mudança de rotina, de comportamento e fatores sociais que vivemos?


A resposta é, obviamente, sim!


A ciência já trouxe as muitas evidências de que seres humanos e seus pets podem ser definidos como uma família multiespécie, justamente, porque ambas possuem condições biológicas e sociais para desenvolverem laços e uma interação duradoura e funcional. Isto só é possível porque ao longo da evolução destes animais e da nossa própria história evolutiva, as influências foram mútuas e garantiram que processos de comunicação e aprendizagem fossem possíveis entre espécies diferentes.


Então, podemos nos influenciar. Nossos ambientes são compartilhados, e nossas relações emocionais misturadas como o faríamos com qualquer outro ser humano.


Desta forma, a socialização, os processos cognitivos (como a aprendizagem, a memória, etc.), o comportamento como um todo, estão intimamente relacionadas com o ambiente partilhado destes animais com o nosso.


Isso significa que mudanças bruscas no meio social refletem mudanças no comportamento em nós e nossos pets.


O maior problema de comportamento em pets em nosso país é associado a distúrbios de ansiedade, e entre eles, a ansiedade de separação, onde o animal apresenta um conjunto de sintomas de sofrimento e angustia na ausência do tutor.


Isso significa, que quando nossas rotinas irem retornado gradativamente, novamente haverá uma mudança no ambiente, e seu pet, dependendo do que foi aprendido e de suas particularidades biológicas, poderá estar sujeito a quadros de ansiedade na sua ausência.

Desta forma, é importante que um profissional, um Etologo (especialista em comportamento animal), oriente o processo, para que sua relação com seu pet no dia a dia não seja prejudicada ao ponto de comportamentos de dependência e não adequados serem fixados e mantidos.


É possível planejar seu dia a dia com seu animal, assim como estamos todos fazendo em outras áreas de nossas vidas neste cenário. E a saúde mental do seu animal também precisa receber sua atenção.


Um outro ponto precisa ser lembrado, e é aqui que os desafios da quarentena se agravam. Seu animal possui necessidades de gasto de energia física e mental, precisa de interação social com outros animais, outras pessoas, necessita expressar seu repertório comportamental na interação com o meio, como farejar, explorar, lidar com os desafios do meio, etc., o que durante a quarentena é bastante prejudicado.


Um isolamento, restringe estes elementos, tornando o responder menos frequente e variável. Sabemos que cientificamente, a menor expressão de comportamentos e a queda no atendimento de necessidades básicas para o animal, estão associadas ao aumento de estresse, afetando o comportamento, a saúde física e mental.


Há ainda, o risco de ganho de peso, e de todas os perigos que o sobrepeso e a obesidade podem trazer ao seu pet.


Desta forma, novamente, a orientação de um profissional é fundamental. Planejar a rotina do seu pet, a alimentação, e a qualidade das interações durante este período sensível é um fator imprescindível para garantir uma adequada saúde física e mental para seu animal.

*Diogo Cesar Gomes da Silva


Zootecnista, Professor Cursos de Med. Veterinária e Eng. Agronômica (UNIDERP).

Membro da Comissão Estadual de Intervenções Assistidas por Animais (CEIAA – CRMV/MS);

Pesquisador nos Departamentos de Estatística e Laboratório Cognitivo Comportamental de Pesquisa e Intervenção (Psicologia - UNIDERP);

Coordenador do Projeto Amar – Intervenções Assistidas por Animais.


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