• Flavia Andrade

Dólar nas alturas: será que só existe desvantagem?


( Foto: Divulgação)

Por Ernani Reis, analista da Capital Research

Do momento em que os casos de covid-19 começaram a aparecer fora da China, a moeda norte-americana acelerou o movimento de alta dos preços. O dólar, por aqui, chegou a ser negociado a R$ 5,97 no dia 14 maio e registrou uma valorização próxima a 30% no período de três meses.

De lá para cá, a atenção sobre a moeda passou a ser o impacto positivo ou negativo da variação do câmbio sobre os resultados das companhias negociadas na B3. No início da pandemia, a maior dúvida do mercado pairava sobre a ação do Banco Central Brasileiro na contenção da escalada dos preços. Hoje, no entanto, sabemos que a atuação do BC se limita à desaceleração do movimento de alta e não consegue fazer com que os preços recuem ao patamar do pré-crise, de R$ 4,60.

Esse redirecionamento das atenções ganhou relevância durante a primeira temporada de balanços do ano, que aos poucos vai revelando os impactos do choque cambial. Foram R$ 21 bilhões em prejuízo, considerando-se 112 companhias de capital aberto que publicaram suas demonstrações financeiras até o dia 15 de maio, excluindo Petrobras e Vale para evitar distorções.

Vale ressaltar que esses dados, obtidos na CVM e Valor Pro, são referentes ao prejuízo fiscal, ou seja, quando o estoque da dívida é convertido em reais para ser apresentado nas demonstrações financeiras, mesmo que não esteja vencendo na exercício vigente.

Mas, se por um lado os dados não representam o real desempenho das companhias, a leitura dos números pode indicar o aumento da aversão ao risco e até mesmo evoluir para a antecipação do vencimento das dívidas. Com a expectativa de piora dos resultados no segundo trimestre, o resultado caixa precisa continuar subindo – o que, neste momento, é pouco provável, com exceção dos setores essenciais. 

Por outro lado, há um aspecto positivo na desvalorização cambial, que pode ser visto nas reservas internacionais do Banco Central, que chegaram a R$ 598 bilhões no mês de maio. O aumento da reserva resulta na melhora da dívida pública líquida, já que o ativo do país pode ser utilizado pelo Tesouro para pagar a dívida pública ou injetar liquidez no mercado em caso de emergência.

A volta de um câmbio mais acessível está vinculada à capacidade de recuperação e crescimento sustentável das economias. Porém, a crise gerada pela pandemia de coronavírus é uma enorme pedra no sapato e, portanto, essa melhora deve ficar para 2021 – isso, é claro, tendo em vista as melhores projeções até o momento. 

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