• Flavia Andrade

Debate sobre focos de incêndio em MS apresenta dados comparativos com a Amazônia e Bolívia


(Foto: Flavia Andrade)

Durante o Seminário Direto ao Foco - Queimadas, Meio Ambiente e Políticas Públicas, promovido pelo vereador Eduardo Romero, coordenador nacional da Frente Parlamentar de Vereadores Ambientalistas, nesta sexta-feira (18), na Câmara Municipal de Campo Grande, foram debatidos questões sobre os focos de queimadas em Mato Grosso do Sul, onde dados apontaram aumento de 303% neste ano, em relação ao ano passado, seguindo o cenário preocupante de avanço de incêndios do restante do Brasil. O evento contou com vários parceiros e entidades que atuam na questão ambiental. 


O seminário foi promovido pela Frente Parlamentar, pelo movimento Acredito, Comitê Municipal de Combate aos Incêndios Florestais e Urbanos de Campo Grande, com apoio da Câmara Municipal de Campo Grande, Prefeitura de Campo Grande e Assembleia Legislativa. Os dados apresentados são discutidos periodicamente, sendo definido como podem ser planejadas estratégias para efetivar políticas públicas de proteção ao meio ambiente e para evitar a repetição desses casos durante a época de seca, principalmente nos meses de julho a setembro. 


Segundo o vereador Eduardo Romero, “A mudança cultural se faz com ocupação de espaço, ocupando brechas, que é o que vocês estão fazendo hoje. Temos várias políticas públicas, mas os dados mostram que as ações ainda não são suficientes. Continuamos com dificuldades até de equipamentos para os comitês e as prefeituras. Então, temos que melhorar”, pontua.


Ainda conforme o parlamentar, “O Legislativo pretende absorver o que foi discutido para apresentar novas legislações ou com emenda ao Orçamento, que está sendo debatido na Casa”, destacou.


De acordo com os dados apresentados durante o seminário, de janeiro até a segunda semana de outubro deste ano, Mato Grosso do Sul registrou cerca de 8.354 focos de incêndio, aumento de 303% em relação ao ano passado, quando foram 2.064 ocorrências. Os números foram repassados pelo meteorologista da Uniderp/Anhanguera, Natálio Abrahão Filho, o qual também apresentou comparativos das queimadas em relação a outros estados e países. 


Para Natálio Abrahão, “A política de combate não está eficiente nem gerando resultados. Não existe fogo espontâneo nesses casos, é a mão humana que provoca o fogo. Se tenho muita partícula no ar teremos nuvens muito mais carregadas com consequência de chuvas. Isso em termos meteorológicos é alerta”, enfatizou.


Representando o Comitê Municipal de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais Urbanos, o qual foi retomado em 2017 e é composto por 17 órgãos, entre eles poderes público municipal, estadual e federal, conselhos regionais de bairros, entidades e pela Câmara Municipal, Vinicius Zanardo, diz, “O número de atendimentos praticamente dobrou neste ano em comparação a 2018 em Campo Grande”.


Para o Coronel Catarinelli, da Sala de Situação do Governo de Mato Grosso do Sul, “Este ano já tínhamos expectativa da baixa quantidade de chuvas no período. Ativamos a sala de situação na Defesa Civil para acompanharmos indicadores e questões ambientais de forma integrada.Temos o monitoramento, a fiscalização, mas é importante já pensar em 2020 e nos demais anos porque o incêndio florestal vem causando danos e precisamos de estratégias mais efetivas”.


Falando em nome do Movimento Acredito, um dos proponentes do evento, André Samambaia, declarou que, “Temos que discutir as formas que temos no meio ambiente para equalizar recursos com a nossa forma de vida. Precisamos participar dos debates e dessa construção, não apenas reclamando e denunciando, o que também é uma parte, mas tendo papel de compromisso na construção da política pública”, disse.


Também esteve presente o deputado federal Dagoberto Nogueira, o qual pontuou que, “Teremos consequências piores se não nos preocuparmos agora. Mesmo com as informações, ele quis argumentar que o satélite mente e tivemos esse volume de incêndio monstruoso”, criticou.


Por fim, o deputado estadual Pedro Kemp ressaltou alguns pontos que considera retrocessos, “Temos retrocesso grande nesta área. Ainda existe queda de braço entre produtores rurais e meio ambiente. Se queremos investir no agronegócio é importante ter consciência ambiental clara. É preciso exigir produção sustentável. O Brasil está sofrendo com descaso do governo com a questão ambiental”, conclui.


As Denúncias sobre incêndios podem ser feitas pelo 156 (Central de Atendimento ao Cidadão), de segunda a sexta-feira, ou 193 (Corpo de Bombeiros). 

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