• Flavia Andrade

Expectativa é que a taxa de juros feche o ano em 4,5%

A economia brasileira continua operando em um nível muito baixo de demanda, e assim os indicadores de inflação irão continuar fraco. Este cenário deve impactar a decisão da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central (BC), que se reúne nesta terça e quarta-feira, 29 e 30 de outubro. Para o economista-chefe da Trivèlla M3 Investimentos, Lucas Dezordi, o resultado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de outubro deve ser em torno de 0,10%, fazendo com que a inflação em 12 meses fique no patamar de 2,54%. Para o ano de 2019, nossas previsões estão em cerca de 3,15%, a.a., com tendência de queda. Isto significa um resultado abaixo da meta estabelecida pelo governo, de 4,25% (mesmo com a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual) configurando em mais uma sinalização de que a retomada econômica brasileira ainda patina. “A redução da taxa de juros, por parte do BC, é fundamental para estimular o crescimento do crédito na economia brasileira, reativando de forma gradual os níveis de consumo das famílias e investimento (formação de capital) das empresas”, pondera Dezordi. Outro indicador inflacionário – a ser conhecido nesta semana, na quarta-feira –, é o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), usado como base para reajuste de muitos contratos de aluguel. “Esse índice é muito sensível às variações na taxa de câmbio. Com a recente queda do dólar, esperamos um IGP-M mais bem-comportado. Para o mês de outubro, estimamos um índice de 0,20%; e para o ano de 2019 em cerca de 4,93%”, comenta o economista. Diplomacia requer atenção A atenção ao câmbio não entra apenas na pauta do IGP-M, adverte Dezordi. A alta desvalorização do real poderia ser compensada se isso refletisse em atratividade dos produtos brasileiros para o mercado externo. Contudo, além do momento apreensivo que passam diversos parceiros da América Latina – como as manifestações populares no Chile contra o governo liberal de Sebastián Piñera, o presidente Jair Bolsonaro não tem sido muito amistoso com os demais integrantes do Mercosul. Antes mesmo da eleição presidencial vencida neste final de semana pela chapa do peronista Alberto Fernández, que tem Cristina Kirchner como vice, Bolsonaro já havia proferido algumas declarações de que, caso Fernández saísse vitorioso, o Brasil poderia arquitetar a saída do país vizinho do bloco. Na última sexta-feira, segundo o jornal Folha de S.Paulo, o Planalto, contudo, estaria organizando uma medida mais drástica: a de retirar o Brasil do Mercosul. “Este não é um momento para rompantes. A economia nacional carece de atenção e o comércio internacional é importante para ajudar o governo a fechar a conta no azul. Ademais, um dos “feitos” divulgados pelo Planalto neste ano foi justamente o de fazer avançar – ainda que dependa de uma série de aprovações ainda – o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Uma vez fora do Bloco, o Brasil perderia a oportunidade de capitalizar com esta parceria”, avalia Lucas Dezordi. O mercado financeiro também parece não concordar com o presidente brasileiro. Nesta segunda-feira, o peso acumula recuperação e a bolsa de Buenos Aires opera em forte alta. Juros Diante deste cenário desafiador para a economia brasileira, o economista da Trivèlla M3 Investimentos espera, para nesta reunião do Copom, uma queda na taxa de juros de 0,50 pontos percentuais, fazendo com a Selic venha operar a 5,00% ao ano. “Para a última reunião do ano, nos dias 10 e 11 de dezembro, estimamos uma redução adicional de 0,50 pontos percentuais, com isso, a Selic fecharia o ano em 4,50% a.a”, finaliza o economista. Sobre a Trivèlla M3 Investimentos: A Trivèlla M3 Investimentos é uma gestora de recursos de terceiros, com sede em Curitiba, com 6 veículos estruturados e mais de 30 operações realizadas. Com atuação em Venture Capital e fundos multimercados, a gestora busca aplicar, no mercado financeiro, a dinamicidade e pensamento ágil característicos do setor de tecnologia, sempre visando retornos acima da média para seus stakeholders.

(** Com informações da Assessoria - Foto: Divulgação/Assessoria)

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