• Flavia Andrade

“Pesquisas mostram que transmissor da Febre Maculosa está presente em todas as regiões da Capital


Vereador Veterinário Francisco (Foto: Divulgação/Assessoria)

Nos últimos dias uma ameaça à saúde do campo-grandense ganhou a mídia: A febre maculosa. Transmitida pelo carrapato-estrela, a doença tem como principal hospedeiro urbano as capivaras. Entre os sintomas febre forte, dor de cabeça intensa, náusea, diarréia, dor abdominal, inchaço e manchas vermelhas. Se não tratada no início pode levar à paralisia dos membros e pulmões causando a morte.


Depois de um grupo de amigos ser internado com suspeita da doença após passeio no Parque das Nações, frequentadores ficaram em alerta. Mas segundo o Vereador Veterinário Francisco, não é de hoje que se sabe dos perigos da doença na cidade: “Nós temos levantamentos de cerca de dois anos atrás realizados com o Dr. Renato Andreotti da Embrapa, que revelam que todas as regiões da cidade onde há capivaras possuem a presença da Rickettsia rickettsii (transmissor da febre). De acordo com o Veterinário, estavam inclusas na pesquisa locais conhecidos pela presença dos animais como Lago do Amor, Parque das Nações, Mata do Segredo e UFMS, mas também condomínios e regiões menos visitadas. 


Foi na Universidade Federal que Danielle Mugarte de 22 anos contraiu a doença em 2017, enquanto cursava a faculdade de Jornalismo. Ela conta que as capivaras costumam circular por todo o campus e em uma tarde após a aula chegou em casa e se surpreendeu com um carrapato na coxa esquerda. Ela tentou removê-lo mas dias depois começou a sentir os sintomas. “Minha perna começou a inchar muito, percebi manchas vermelhas escuras, tive calafrios e febre alta. Depois de uns quatro dias a perna e as articulações doíam tanto e estava tão inchada que eu não conseguia mais andar, foi quando fui ao UPA”, relata. Depois de quatro horas de espera passando mal, Danielle foi transferida para o Hospital Universitário com suspeita de febre maculosa e tratada com antibióticos. O diagnóstico preciso salvou a vida da estudante.


Por casos como o de Danielle e pelo avanço da doença no país nas últimas semanas (78 casos já foram confirmados apenas em Belo Horizonte), o Vereador Francisco considera urgente a ação pública no sentido de evitar que a doença se espalhe na capital. “Considerando a população de capivaras na cidade e o número de mortes que a chamada “febre do carrapato” causou nas últimas semanas (4 em Minas Gerais e uma em São Paulo) é primordial investirmos na conscientização da população e capacitação dos profissionais de saúde para lidar com os casos de suspeita e realizar diagnósticos adequados”.


Com 36 anos de experiência como médico-veterinário, 25 deles à frente do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), o vereador compara o momento com o início dos anos 90 quando os primeiros casos de leishmaniose começaram a proliferar. Na época ele e outros profissionais alertaram as autoridades sobre as providências que deveriam ser tomadas. “Mas, ao invés de agir, eles preferiam enviar as vítimas para outras cidades próximas como Terenos ou Rochedo, para que a população não ficasse sabendo dos casos ou óbitos e assim a doença foi se espalhando sem o conhecimento das pessoas”. De acordo com o vereador, a longa demora na ação das autoridades tornou a leishmaniose um problema de grandes proporções que poderia ter sido evitado.


“O mesmo está ocorrendo agora com a febre maculosa. Ela pode se tornar um problema grave e não podemos ficar de braços cruzados vendo a coisa desandar” alerta. 


E lembra também que a prevenção é sempre o melhor remédio: “É importante que os donos que gostam de levar seus pets a parques onde habitam capivaras tomem cuidados redobrados pois o carrapato pode ficar nos pêlos dos cachorros e gatos e acabar picando o ser humano”. Ele também sugere que os frequentadores prefiram roupas claras (porque facilitam enxergar melhor os carrapatos); coloquem a barra da calça dentro das meias e usem botas. “E sempre que voltar de um desses lugares, examine o corpo cuidadosamente para ter certeza que não foi picado. O carrapato transmite a bactéria só depois de pelo menos quatro horas grudado na pele”, orienta o vereador.


(** Com informações da Assessoria)

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