• Flavia Andrade

Projeto de Lei que proíbe fogos sonoros é aprovado por Câmara Municipal

“Uma grande conquista tanto para a proteção animal quanto o bem-estar humano”, celebrou o vereador Veterinário Francisco (PSB), autor do Projeto de Lei complementar que contou com apoio de pesquisadores, ambientalistas e da população,e aguarda agora sanção do prefeito.

“Recebemos muitos apelos em nosso gabinete para que agíssemos nesse sentido, pois enquanto alguns se divertem com o barulho dos estampidos, vemos o verdadeiro pesadelo que sofrem os animais domésticos e aves de nossa cidade que possuem audição até 40x mais sensível que a nossa”.

Segundo ele, alguns animais chegam a ficar tão desorientados que ocorrem fugas, atropelamentos, quedas de janelas, automutilação, podendo em alguns casos chegar ao óbito. Mas os animais não serão os únicos beneficiados com a nova lei. O barulho estridente dos fogos pode trazer sofrimento e perturbações profundas a pessoas idosas, bebês de colo, pessoas com deficiências auditivas, dentro do espectro autista e com doenças mentais.

“Por isso não são apenas os animais os beneficiados. Todas as famílias que sofrem os danos dos fogos sonoros, agora podem respirar mais aliviadas tendo sua tranquilidade e bem-estar garantidos”, ressaltou o vereador. Ele lembra que os fogos em geral não serão proibidos mas apenas aqueles com sons.

“A beleza dos fogos é bem-vinda. A lei vem apenas fortalecer a consciência coletiva e assegurar a convivência em sociedade com harmonia e respeito à vida”.

O projeto obteve o apoio de pesquisadores como Simone Mamede, fundadora do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo que realizou, entre 2016 e 2019, um estudo do impacto da queima de fogos nas festas de final de ano na região do Parque das Nações Indígenas e altos da Avenida Afonso Pena.

De acordo com Mamede, os resultados foram assustadores: "Durante as últimas duas viradas de ano, encontramos aves mortas, como rolinhas, bem-te-vi, avoante e suiriri".

Foram detectadas também alterações no comportamento das aves como afugentamento e deserção de ninho por araras-canindés - ave símbolo de Campo Grande. “Por ser período de reprodução, os adultos ficam desorientados e são afugentados deixando filhotes vulneráveis à predação e riscos”, explica a pesquisadora .

E sobre a aprovação do Projeto de lei, comemora: “Quando a cultura desrespeita e prejudica os seres vivos, quando maltrata e mata, ela deve ser mudada. A vida em sociedade requer consciência, respeito e sensibilidade e quando isso não existe de forma espontânea são necessárias políticas públicas como essa!”

Leis da mesma natureza já foram criadas em diversas cidades Brasileiras, tais como Santos, Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá, Araraquara, Londrina e Curitiba. Com maior proteção à vida silvestre das aves, o turismo e economia de Campo Grande também lucram.

Atualmente a cidade é conhecida como a Capital da Observação de Aves, com 30 pontos de observação, segundo a Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb).

(** Com informações da Assessoria)

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