• Flavia Andrade

Tereza Cristina alega que barreiras não tarifárias dificultam comércio e preservação ambiental


Ministra defendeu dificuldades do setor para exportação dos produtos durante palestra (Divulgação/Mapa)

Nesta semana a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento, palestrou sobre segurança alimentar e meio ambiente no Congresso realizado durante a Anufood, em São Paulo, onde afirmou que restrições ao comércio internacional conflitam com interesses ambientais, para ela, “já que a maior parte da população mundial se concentra em regiões do planeta onde recursos naturais estão se exaurindo. Segurança alimentar não é sinônimo de autossuficiência e é um tema que não pode se limitar às fronteiras nacionais. Ao fazê-lo, os países condenam os seus consumidores a comprar produtos mais caros”, afirma. 


Ministra considera os produtos básicos não enfrentam tantas dificuldades quanto os produtos mais processados, conforme Tereza Cristina, “infelizmente, na agricultura ainda persistem restrições significativas ao comércio exterior, na forma de tarifas, subsídios e toda a sorte de barreiras não tarifárias”. E lembrou que “no caso da pauta exportadora do Brasil, produtos básicos como soja, milho, café verde, celulose e algodão circulam com facilidade no mundo”. Mas, que “produtos mais processados, como óleo de soja, açúcar, etanol, carnes, laticínios, papel e café solúvel enfrentam maiores barreiras”.


Entre as dificuldades enfrentadas pelo Brasil para exportação a ministra destaca que, “não há como solucionar os desafios globais de segurança alimentar, inocuidade do alimento e sustentabilidade mantendo pesadas restrições ao comércio”. É muito difícil, afirmou, “garantir ao mesmo tempo volume, preço baixo, qualidade, sanidade do alimento que chega aos consumidores, mantendo fronteiras fechadas ao comércio. O mesmo vale para a sustentabilidade dos sistemas de produção. As restrições ao comércio estimulam a produção onde, às vezes, não é eficiente produzir e isso sobrecarrega o meio ambiente”, enfatiza.


Além destes, Ministra compara produtos de outros setores que circulam mundialmente com os produtos agropecuários, entre eles: carros, produtos eletrônicos, celulares e a grande maioria dos bens de consumo que chegam aos consumidores globais circulam com menores restrições do que produtos agropecuários e alimentos, observou. “Portanto, é fundamental que a busca de padrão de comércio agrícola mais aberto e equilibrado deveria ser parte central da agenda de cooperação agrícola internacional”.


Além dos desafios, a globalização também foi tema do discurso. Para Tereza Cristina,“À medida em que as economias se globalizam e os métodos de detecção são aperfeiçoados, há uma progressiva elevação de barreiras não-tarifárias, particularmente barreiras técnicas ao comércio de produtos alimentícios em todo o mundo e principalmente por parte dos países mais ricos e que desejam importar alimentos que colocam restrições como forma de proteger seus mercados”, conclui.

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